quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Sob a sombra da lua cheia - parte 02

Leia também a parte 01

Capítulo 01 - parte 02

Enquanto isso, os outros dois conversavam na beira do riacho. Jamais poderiam imaginar que aquela seria a última noite de suas vidas. A exemplo de Bruce, ambos também eram bem jovens. Pescar em noites iluminadas pela lua cheia era um hábito e um prazer. O riacho, que todos os moradores da região apelidavam de riacho dos lobos, refletia, como se fosse um espelho, os raios lunares. Com os olhos fixos na água, João exclamou:
--- Fisguei mais um!...
Com rápidos e hábeis movimentos, recolheu a linha. O peixe se debatia na vã tentativa de se libertar do anzol. Mas, após alguns segundos, era tirado da água. Seu algoz sorria.
--- É, meu amigo, te peguei pra valer!
Nas mãos, sentia as escamas úmidas e viscosas.
--- Bem, já temos bastante peixe. Vamos, então? --- disse Joe.
--- Não precisa dizer duas vezes, parceiro --- respondeu Sam.

Quando, então, se afastaram das margens do riacho parar pegar uma trilha rumo ao acampamento, ouviram um grito. Por um instante, ficaram perplexos.  Depois, precipitaram-se correndo. Porém, quando chegaram ao local, estacaram assustados. Diante deles, estendido no chão, a cerca de dois metros da pequena fogueira, podia se ver Bruce, ou melhor, o que sobrara dele. Pois estava desfigurado! Havia sangue por toda parte também.
--- Mas... o que será que aconteceu, Sam?---indagou Joe com  os  olhos  arregalados refletindo medo. Muito pálido e suando frio, girava o corpo ao mesmo tempo lançando um olhar inquiridor para as sombras das árvores circundantes. Sam puxou da cintura um longo e afiado punhal. Sem olhar para o apavorado amigo, falou:
--- Não sei. Mas algo matou o nosso pobre amigo... e tá aí escondido no mato nos espreitando.

--- Então, vamos dar o fora daqui! --- exclamou Joe, fazendo menção de ir ao local dos cavalos.
Mas... algo inusitado ocorreu: um som alto se elevou na noite ecoando e fazendo se ouvir às centenas de metros do ponto de onde partira. Os cavalos, que já estavam agitados e nervosos, ficaram histéricos. Com os olhos arregalados e as narinas infladas, relinchavam erguendo as patas dianteiras: pressentiam uma ameaça.
Joe, num relance, vislumbrou algo se movendo atrás das árvores. Segurou o braço do companheiro:
--- Vi alguma coisa no mato!

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